Introdução
A revolução digital trouxe consigo uma série de inovações que têm transformado diversos setores, incluindo a educação, conforme apontado por Souza, Souza e Santos (2024). Entre essas inovações, destaca-se o ChatGPT, uma ferramenta baseada em inteligência artificial que promete revolucionar o modo como acessamos e compartilhamos informações. No entanto, essa nova forma de interação tecnológica levanta questões importantes sobre a natureza da educação e o papel dos educadores e educandos. Este resumo expandido busca explorar essas questões à luz da crítica de Paulo Freire à “educação bancária”, analisando se o ChatGPT representa uma modernização dessa abordagem ou se oferece novas oportunidades para a educação crítica.
Paulo Freire, um dos mais influentes educadores e filósofos da educação do século XX, desenvolveu uma crítica profunda àquilo que ele denominou “educação bancária”. Segundo Freire (1996), esse modelo educativo trata o conhecimento como um depósito, onde o professor deposita informações nos alunos, que são vistos como recipientes passivos. Nesse contexto, os alunos não são incentivados a questionar, refletir ou interagir de maneira crítica com o conteúdo. Em vez disso, segundo Harasim (2015), os estudantes são treinados para memorizar e reproduzir informações, perpetuando uma dinâmica de poder que mantém o status quo e desestimula a criatividade e a autonomia.
Com o advento das novas tecnologias, especialmente a inteligência artificial, a educação tem experimentado uma transformação significativa. Ferramentas como o ChatGPT, desenvolvidas pela OpenAI, estão sendo incorporadas em diversos contextos educacionais. Segundo Santos et al. (2024), o ChatGPT é um modelo de linguagem natural que utiliza algoritmos avançados para gerar respostas a partir de grandes volumes de dados textuais, oferecendo uma nova maneira de acessar e disseminar conhecimento. No entanto, a introdução dessa tecnologia suscita questões críticas: estaria o ChatGPT reforçando o modelo de educação bancária criticado na literatura freiriana, ao fornecer informações de maneira unidirecional e sem criticidade? Ou poderia essa ferramenta ser integrada de maneira a promover uma educação mais dialógica e crítica?
O objetivo deste resumo expandido é investigar como o ChatGPT pode ser visto como uma materialização da educação bancária na era digital. Para isso, será explorado como o uso dessa tecnologia pode refletir os aspectos do modelo criticado por Freire, ao mesmo tempo em que serão discutidas as potencialidades e limitações do ChatGPT no contexto educacional. O resumo expandido buscará também refletir sobre como é possível integrar essa tecnologia de maneira que ela complemente as práticas pedagógicas críticas, promovendo um aprendizado mais significativo e transformador. Ao explorar essas questões, esperamos contribuir para um entendimento mais profundo das implicações do uso de tecnologias avançadas na educação e propor caminhos para que essas ferramentas possam ser utilizadas de forma a promover uma educação mais inclusiva, crítica e emancipadora.
Metodologia
Para realizar a análise sobre a materialização da educação bancária através do ChatGPT na era digital, o presente resumo expandido utilizará a metodologia de análise bibliográfica, conforme os preceitos de Prodanov e Freitas (2013). Este método permitirá uma compreensão detalhada dos conceitos e teorias relacionadas ao tema, bem como uma avaliação crítica das fontes bibliográficas disponíveis. A análise bibliográfica, também conhecida como revisão de literatura, será estruturada em dois caminhos distintos: a análise da concepção de educação bancária e a análise do uso do ChatGPT na educação.
No primeiro caminho, que trata da concepção de educação bancária, a seleção de fontes se concentrará em obras e resumos expandidos acadêmicos publicados nos últimos dois anos. O foco será em textos que façam uma relação direta com a revolução digital e as ferramentas digitais em seus títulos. Essa abordagem permitirá uma atualização das teorias freireanas no contexto contemporâneo, onde a tecnologia desempenha um papel central na educação. Para garantir a relevância e a atualidade dos materiais, serão incluídos apenas resumos expandidos recentes, enquanto os textos mais antigos ou que não tratem explicitamente da relação com a revolução digital serão excluídos.
O segundo caminho de análise será dedicado ao ChatGPT e seu uso na educação. Serão considerados resumos expandidos acadêmicos publicados a partir da data de lançamento do ChatGPT, com um enfoque especial em textos que relacionem diretamente esta tecnologia com o contexto educacional. Além disso, apenas resumos expandidos disponíveis integralmente e em português serão incluídos na análise, garantindo assim a acessibilidade e a compreensão completa dos conteúdos. Resumos expandidos publicados antes do lançamento do ChatGPT, que não abordem seu uso na educação ou que não estejam disponíveis em português serão excluídos.
A principal base de dados utilizada para a seleção do material de análise será o Google Acadêmico. Esta plataforma oferece uma ampla gama de resumos expandidos acadêmicos e outras fontes científicas, proporcionando acesso a pesquisas recentes e relevantes. A escolha do Google Acadêmico como base de dados assegura a diversidade e a qualidade das fontes selecionadas para a análise. Para garantir uma análise robusta e abrangente, será utilizado o método analítico com triangulação de fontes. Este método permitirá a identificação e a comparação de diferentes perspectivas e abordagens presentes nos resumos expandidos selecionados. Os resumos expandidos serão classificados em dois grupos principais: aqueles que destacam as potencialidades das novas tecnologias na educação e aqueles que apresentam preocupações ou críticas em relação ao seu uso. Essa classificação facilitará a organização das informações e a identificação de padrões nas discussões.
Um quadro sistemático será elaborado para apresentar os resultados de forma organizada e clara. Este quadro facilitará a visualização das diferentes perspectivas e a identificação de padrões e tendências nas discussões sobre educação bancária e o uso do ChatGPT na educação. A apresentação sistemática dos dados permitirá uma análise mais precisa e detalhada das informações coletadas. Finalmente, será realizada uma análise crítica dos dados encontrados. Esta análise buscará integrar os insights obtidos a partir das fontes selecionadas, refletindo sobre as implicações do uso do ChatGPT na educação e sua relação com a concepção de educação bancária criticada por Paulo Freire. Serão discutidas as possibilidades de integrar a tecnologia de forma a promover uma educação crítica e emancipadora, alinhada com os princípios da pedagogia freireana. Através desta metodologia, espera-se fornecer uma visão abrangente e crítica sobre o impacto das tecnologias digitais na educação contemporânea, bem como propor caminhos para uma integração harmoniosa entre inovação tecnológica e práticas pedagógicas críticas.
Desenvolvimento do Conteúdo
A revolução digital trouxe consigo uma série de inovações que têm transformado diversos setores, incluindo a educação. Entre essas inovações, destaca-se o ChatGPT, uma ferramenta baseada em inteligência artificial que promete revolucionar o modo como acessamos e compartilhamos conhecimento. No entanto, essa nova forma de interação tecnológica levanta questões importantes sobre a natureza da educação e o papel dos educadores e educandos. Este resumo expandido busca explorar essas questões à luz da crítica de Paulo Freire à “educação bancária”, analisando se o ChatGPT representa uma modernização dessa abordagem ou se oferece novas oportunidades para a educação crítica.
Paulo Freire, um dos maiores educadores do século XX, criticou duramente o que ele chamou de “educação bancária”. Nesse modelo, os alunos são vistos como recipientes vazios que precisam ser preenchidos com o conhecimento transmitido pelo professor. Esse processo, segundo Freire, desumaniza os alunos e impede o desenvolvimento do pensamento crítico e da autonomia. Freire propôs uma pedagogia baseada no diálogo e na conscientização, onde professores e alunos se envolvem em um processo de aprendizado mútuo. A educação, para Freire, deveria ser uma prática de liberdade, onde os alunos são encorajados a questionar, refletir e transformar o mundo ao seu redor.
O ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI, é um modelo de linguagem natural que utiliza algoritmos avançados para gerar respostas a partir de grandes volumes de dados textuais. Ele pode ser utilizado em diversos contextos educacionais, desde responder a perguntas de alunos até auxiliar na criação de materiais didáticos personalizados. Entretanto, o ChatGPT, por sua própria natureza, pode reproduzir um modelo de ensino unidirecional. Embora possa fornecer respostas rápidas e precisas, ele não facilita o diálogo crítico e a reflexão profunda que Freire considerava essenciais para a educação. O ChatGPT pode ser visto como uma ferramenta que, em muitos aspectos, reflete a abordagem da educação bancária. Ele fornece informações de forma rápida e eficiente, mas sem o envolvimento crítico necessário para transformar essa informação em conhecimento significativo. Os alunos que usam o ChatGPT podem se tornar receptores passivos de informações, em vez de participantes ativos no processo de aprendizado.
No entanto, o ChatGPT também possui o potencial de personalizar o aprendizado e torná-lo mais acessível. Ele pode adaptar-se às necessidades individuais dos alunos, oferecendo suporte contínuo. O desafio é integrar essa tecnologia de maneira que complemente, em vez de substituir, as práticas pedagógicas críticas. A introdução de tecnologias digitais na educação não precisa, necessariamente, reforçar práticas tradicionais e passivas. Quando bem utilizadas, essas tecnologias podem abrir novas possibilidades para a aprendizagem colaborativa e crítica. O importante é garantir que o uso dessas ferramentas esteja alinhado com os princípios de uma educação emancipadora, como defendido por Paulo Freire.
Considerações Finais
A análise desenvolvida ao longo deste trabalho buscou investigar se o uso do ChatGPT no contexto educacional representa uma atualização da chamada educação bancária, tal como criticada por Paulo Freire, ou se pode ser incorporado a práticas pedagógicas críticas e emancipadoras. Os resultados indicam que a tecnologia, por si só, não determina o modelo educativo adotado. Quando utilizada como mera fornecedora de respostas prontas, sem problematização e mediação docente, a ferramenta pode, de fato, reforçar práticas informacionais unidirecionais, aproximando-se da lógica bancária de transmissão de conteúdos. Nesses casos, o estudante assume papel predominantemente passivo, limitando-se à recepção e reprodução de informações.
Entretanto, a investigação também evidenciou que, quando integrada a metodologias dialógicas e orientada por uma intencionalidade pedagógica crítica, a inteligência artificial pode atuar como recurso de apoio à aprendizagem, ampliando possibilidades de pesquisa, sistematização de ideias e aprofundamento conceitual. Assim, o risco não reside na existência da tecnologia, mas na forma como ela é pedagogicamente incorporada.
Conclui-se, portanto, que o ChatGPT não configura, necessariamente, a materialização da educação bancária, mas pode contribuir para sua reprodução caso seja utilizado de modo acrítico. A mediação docente e o compromisso com uma educação problematizadora permanecem elementos centrais para que as tecnologias digitais sejam apropriadas como instrumentos de emancipação e não de automatização do pensamento. A pedagogia freireana, nesse sentido, mantém sua atualidade ao oferecer fundamentos para uma integração ética, crítica e transformadora das inovações tecnológicas no campo educacional.
Referências
- FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 25. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996. (Coleção Leitura)
- HARASIM, Linda. Educação online e as implicações da inteligência artificial. Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade, Salvador, v. 24, n. 44, p. 25-39, jul. 2015.
- SANTOS, V. S. dos; SOUSA, S. J. A. de; SANTOS, L. M. L.; MENDES FILHO, L. A. M.; PORTE, M. de S.; TAVEIRA, M. da S.; ALEXANDRE, M. L. de O. Inteligência Artificial nos estudos e pesquisas em Turismo no Brasil. Revista Brasileira de Pesquisa em Turismo, [S. l.], v. 18, p. 2896, 2024.
- SOUZA, Zelandia Maria dos Santos; SOUZA, Alexandrino José dos Santos; SANTOS, Maria Pricila Miranda dos. OPORTUNIDADES E DESAFIOS CRIADOS PELA TECNOLOGIA NOS PROCEDIMENTOS PEDAGÓGICOS EM TEMPOS DA PANDEMIA DE COVID-19. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, [S. l.], v. 10, n. 3, p. 1124–1149, 2024.
- PRODANOV, Cleber Cristiano; FREITAS, Ernani Cesar de. METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO: métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico. 2. ed. Novo Hamburgo: Feevale, 2013.
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